Do que a gente conta pra si mesmo

Nota

cartaz_temp_205Tinha essa petulância de chamar meu pai de Johny. E, às vezes, quando penso nele, vem à cabeça aquele trecho musical “Johny era fera demais, pra vacilar assim”.

Outro dia vi o documentário Tim Lopes – Histórias de Arcanjo. O roteiro é de Bruno Quintella, filho dele, que também escolheu o jornalismo e optou por usar o sobrenome da mãe.

Por uma coincidência esquisita, meu namorado em 2007 era colega do técnico que fez a perícia do acidente de ônibus que matou meu pai. A hora que marcava no relógio de Johny, 14h30min, indicava uma posição do sol em que ele pode ter mirado a luz intensa e cegado na presença do ônibus.

“Não era fácil ouvir que teu pai morreu por imprudência”, diz Bruno sobre os comentários que ouvia na faculdade quando o debate era a morte de Tim Lopes em uma investida na Vila Cruzeiro, no Rio, em 2002. Pelo sobrenome diferente, colegas e professores desconheciam o parentesco.

Não é fácil a gente ouvir de dentro de nós mesmos que nosso pai pode ter morrido por imprudência. Outubro de 2007 ou junho de 2014, custou e ainda custa tentar entender por que Johny se arriscou tanto ao atravessar em local não permitido, quando uma faixa de pedestres estava tão perto. “Perca um minuto na vida, mas não perca a vida num segundo”, dizia quando me levava a pé para a escola, a um passo das sinaleiras. Por isso, me apeguei à teoria do sol que cega, me apeguei ao fato que ônibus realmente exageram na velocidade nos corredores.

Pode ter sido imprudência, mas era também paixão. Por causa da reportagem de Tim desmascarando a feira das drogas, investigação premiada no Esso, a polícia conseguiu 80 mandados de busca e apreensão no conjunto de favelas do Alemão. E, por isso, Histórias de Arcanjo é tão bom. É a história de vida intensa, apaixonada, sobrepondo-se ao relato de uma morte trágica.

Duas semanas depois daquele 17 de outubro de 2007, colocaram a minha frente um calhamaço de páginas que descreviam nem meia dúzia de minutos sobre o atropelamento. Não quis olhar e só pedi alguns detalhes ao inspetor que me atendeu. Dias antes, em sonho, meu pai vinha e me dizia que não podia mais “ficar”. Eu dizia que entendia (porque a gente sempre se entendia, mesmo nas micro e macro imprudências). Mas não consegui não perguntar: “Pai, eu disse o quanto eu gosto de ti suficientemente?”. “Sempre, fica tranquila.” E um abraço daqueles que deixa escapar um quase urro entre dentes, meio quebra-ossos, encerrou a conversa. E essa é a história que sempre me conto.

Nem só de cheiros é feita uma memória

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Sempre falam dos cheiros. E dos sabores. Hiperlinks que vencem até os mais desmemoriados. Não tem jeito.

Também tenho meus cheiros. E meus sabores. E tenho meus livros.

Não lembro a história de todos eles. Mas lembro daquela baita dor de dente, em plena Patagônia chilena, que quase me desconcentrava de Adeus, Columbus, do Philip Roth.

Lembro de que a vida doía naquele exato momento em que lia Extremamente Alto, Incrivelmente Perto, do Jonathan Safran Foer. E nem era pela quase identificação com a história. A vida doía de não vida. De tudo poder acabar tão rápido quanto um ônibus que te leva ou um World Trade Center a cair. De vontade de fazer tudo ser bom imediatamente.

Pra quem a vida também dói aos 15 anos – e sempre dói nessa idade -, Os Sofrimentos do Jovem Werther, do Goethe, não pode ficar assim à mostra, na prateleira. Ainda bem que os 15 anos passam. E o romantismo, seja alemão, terceira geração ou de filosofia de bar, também.

Liberdade, aquele livro grosso e bem cotado do Jonathan Franzen, pesava na mochila. De tão bom, me transportava para um mundo bem além daquela sala de espera na UTI. Voltamos pra casa. O ex “comatoso” – essa palavra que tanto ouvi -, o livro e eu. “Ei, você que não me ouvia e agora fala sem parar, não quer ler Liberdade?”

E daquele Orwell a me mostrar tanto desapego, em Na Pior em Paris e em Londres, e também daquela vontade de fazer tudo ser bom imediatamente, sobrou também a cena do livro chegando às minhas mãos. Cheia de detalhes. E sobrou a dedicatória. Nada muito além disso. Mas tem uma vida para ser boa em 15 dias, três meses e um Natal, ou 52 anos. O importante é lembrar que precisa ser bom. Imediatamente.

Do que eu falo quando falo de viajar de trem

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Torço pela pequena turbulência. E eu nem tô falando de vida e montanha russa de emoções (ao menos não nessa sentença). Os voos têm essa inércia que me fazem dormir antes mesmo do avião decolar e quase sempre acordar depois que já estão no chão. A pequena turbulência e o aviso de apertar os cintos me aliviam do tédio.

Gosto demais do movimento do trem. E de viajar de ônibus. Não é só o “enxergar” o deslocamento. É deslocar o pensamento para onde a gente não consegue no dia a dia. Uma forma de meditação? É o que parece. Tem gente que diz que coloca o pensamento em ordem em total silêncio, ouvindo o barulho da água, olhando para o mar, sentindo um cheiro. Eu reinvento situações, reorganizo ideias, acho soluções e bagunço tudo de novo, sem nenhum compromisso, no ritmo das formas que se repetem pela janela.

Essa reflexão já tinha me chamado a atenção em um livro do Alain de Botton chamado
A Arte de Viajar:

“Reflexões introspectivas suscetíveis a empacar são auxiliadas pelo fluxo da paisagem. A mente pode relutar em pensar corretamente quando se espera que ela apenas reflita. A tarefa pode ser tão paralisante como ter de contar uma piada ou imitar um sotaque a pedido de alguém. O ato de pensar melhora quando partes da mente recebem outras tarefas, ocupadas em ouvir música ou em acompanhar uma sucessão de árvores. A música ou a paisagem distrai, por momentos, aquela parte nervosa, crítica e prática da mente que se inclina para um bloqueio quando percebe algo difícil surgindo na consciência e que foge assustada de lembranças, anseios, ideias antigas ou originais, pois prefere aquilo que é administrativo e impessoal. […] Ao fim de horas de devaneios ferroviários, podemos sentir que voltamos a nós mesmos – ou seja, fomos trazidos novamente ao contato com ideais e emoções importantes. Não é necessariamente em casa que encontramos nosso verdadeiro eu. A mobília insiste em que não podemos mudar porque ela não muda; o ambiente doméstico nos mantém amarrados à pessoa que somos na vida comum, mas que talvez não sejamos essencialmente”.

Outra coisa que eu gosto muito de fazer em viagens é caminhar. E sozinha. Até uso os meios de transporte público durante a estadia em um local para conhecer como são nos diferentes lugares, mas nada me deixa mais à vontade do que uma “perneada” em um dia de sol. E por que sozinha? Não sou uma pessoa ranzinza que não gosta de companhia para viajar. Até senti falta nesta última jornada. Mas existe uma incrível liberdade em não falar – melhor, a não obrigatoriedade de falar, a não obrigatoriedade de ser escutada. É quase transgredir. Algo que, no dia a dia, busco por meio da corrida. E lá vou eu de referência literária novamente, dessa vez de Haruki Murakami, em Do que eu falo quando falo de corrida:

“Eu corro em um vazio. Talvez eu devesse colocar dessa maneira: eu corro para adquirir um vazio. […]  O desejo em mim de ficar sozinho não mudou. É por isso que a hora que eu passo correndo, mantendo o meu próprio tempo, em silêncio privado, é importante para ajudar a manter meu bem-estar mental. Quando eu estou correndo, não tenho que falar com alguém e não tenho que ouvir ninguém. Tudo que eu preciso fazer é olhar para a paisagem que passa. Esta é uma parte do meu dia que eu não posso ficar sem.”

Munch e seu Skrik: a surpresa de Oslo

“I was walking along the road with two friends – the sun was setting – suddenly the sky turned blood red – I paused, feeling exhausted, and leaned on the fence – there was blood and tongues of fire above the blue-black fjord and the city – my friends walked on, and I stood there trembling with anxiety – and I sensed an infinite scream passing through nature” (Edvard Munch, sobre Skrik, o nome original da obra O Grito)

Não planejei Oslo. Só inseri a capital norueguesa ali no meio do trajeto porque queria fazer a viagem de trem Oslo-Bergen. Passei duas noites na cidade e tive, na prática, um dia para percorrer as “highlights”.

A surpresa é que não tinha me dado conta sobre a possibilidade de ver uma das versões do quadro mais famoso do norueguês Munch. Depois de todos os originais que consegui ver de Van Gogh, acho que essa foi a obra de arte que mais me empolgou em ver de perto.

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A versão de 1893 está na Galeria Nacional de Oslo. E 2013 é justamente o ano em que o país comemora os 150 anos de nascimento do pintor. Mas, infelizmente, as atrações especiais pela data ainda não tinham começado quando estava por lá. Uma programação especial será realizada pela Galeria Nacional e pelo Museu do Munch entre junho e outubro.

Tanto essa versão quanto outra presente no Munch Museum (são quatro) já foram roubadas. A primeira, em 1994, e a segunda, junto à obra Madonna, em 2004, em frente dos visitantes.

Viajar é também repensar e refazer

Nesse exato momento, estou na estação de trem de Oslo, esperando o trem para o aeroporto de Gardermoen, de onde pego o voo de volta para o Brasil. Tive problemas com a internet nos últimos dias. Vou soltando alguns relatos do resto da viagem aos poucos.

A decisão de me estender em Tromso, onde acabei ficando metade da viagem, resultou em eu desistir do arquipélago de Lofoten. E é com aperto no coração que deixo a Noruega sem ter ido às ilhas. Assim como não poder ter ido a Geiranger conferir o fiorde número um do país. De qualquer forma, cheguei a passar por duas cidades vizinhas: Andalsnes e Alesund, depois de uma longa e meio tensa viagem de trem partindo de Bodo, que ainda é acima do Círculo Polar Ártico. Era noite e ventava muito do lado de fora. Cheguei a ter um pesadelo em estilo meio casa de Doroty voando em O Mágico de Oz. O termômetro interno do vagão marcava -15°C do lado externo.

Por que essas cidades todas? Buenas, Bodo era de onde eu podia chegar a Lofoten, plano inicial. Mas acabou que eu só tive uma tarde ali e não tive como ir ao arquipélago. e também não podia seguir direto adiante, pois a compra de passagens de trem antecipada e a preços mais baratos implicam não possibilidade de remarcação ou de grana de volta. Pra não perder a grana, tive de manter o itinerário meio estranho.

Queria muito ver o Geirangerfjord, patrimônio listado pela Unesco e fiorde número 1 da Noruega. Pode-se chegar até a cidade por Andalsnes ou Alesund. Só Andalsnes tem estação de trem. Só Alesund tinha hostel HI aberto. Mais uma redução de tempo, mais uma atração que tive de deixar pra trás.

Mas enquanto achei Bodo bastante sem graça. Alesund valeu a curta estadia, mesmo com a frustração de não ver o Geirangerfjord. A cidade é bem bonitinha, com várias construções em art nouveau. O próprio hostel da HI fica em um deles. A parte central da cidade foi consumida por um incêndio no início do século anterior. O estilo era moda à época, e a reconstrução tomou carona nisso.

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Enfim, refazer o roteiro não chega a ser frustrante. É uma forma de aprender as possibilidades turísticas do país meio que na marra. Gosto disso. Hoje, se alguém me pergunta o que fazer por aqui, de tanto ler, quebrar a cabeça e estudar possibilidades, eu posso ajudar bastante.

Primeira e principal lição para quem vem para ver as “northern lights”. NUNCA reserve menos de cinco dias para isso.

E depois disso, próxima parada: Oslo, por trem novamente.

NORUEGA EM DROPS

* Nas primeiras cidades onde estive, descobri um ser em extinção: policiais. Em Tromso, só vi um carro policial no sétimo dia de viagem.

* Aqui, até a estadia em hostel não é das mais baratas. Aliás, é, sem dúvida, o país mais caro da Europa. Mas o bufê de café da manhã de alguns da linha HI por aqui chegam a ser melhores do que de muito hotel por aí. Obviamente, transformei na minha principal refeição do dia. No de Alesund, por exemplo, tinha até salmão cru. Mas eu segui emagrecendo, creio. Não consegui me pesar mais, mas as roupas “dançam” um pouco mais a cada dia.

* Por falar em salmão cru, esse país é ômega 3 na veia. E coisa boa o peixe aqui, vou te dizer.

* As pessoas quando são bonitas até enjoa de olhar. Exceto as crianças. Todas são lindas e eu não canso de bater foto delas em seus meigos modelitos de inverno ou brincando na neve.

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* Os noruegueses são mesmo meio fechadões, mas sempre de boa vontade quando perguntamos algo. E, realmente, quase todo mundo fala inglês aqui. Dificuldades maiores apenas com o pessoal mais velho. E olhe lá.

* Aficionados por Kit Kat, preciso informá-los: existe uma versão infinitamente melhor no mundo. Bem mais cara também. Tô pensando em levar daqui e pagar minhas dívidas de viagem vendendo pelo Brasil.

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Despedida de Tromso

Já não lembro mais se foi proposital. Acho até que não. Mas foi a primeira vez que eu passei meu aniversário totalmente sozinha e, ao mesmo tempo, tão longe. Foi estranho. Fez falta o pão de ló com recheio de leite condensado coberto por glacê da dona Marly. E o beijo de metade dos irmãos. E o xingão na outra metade que esqueceu. Metade nada. Porra, Cacau, tu tem de deixar de ser o único esquecido.

Pensei em me pagar uma boa janta nesse dia. Acabei me fartando em um kebab, o salvador de estômagos famintos all over the world. Nem foi pela grana. Mas marcava -5°C às 22h em Tromso, onde eu ainda estava, e ficou difícil de ficar procurando restaurante sem congelar.

No dia seguinte, quarta-feira, 20 de março, tinha decidido que ia tentar ver as luzes meio que por minha conta. Pesquisando, descobri que havia algumas opções. Uma delas era ir à área perto do Museu de Tromso e caminhar por zonas mais escuras ao redor. Outra era pegar um bus até Ersfjordbotn e ver por lá. A primeira, não muito eficiente, me disse o guia da Tourist Information. A segunda, talvez. Problema: pode fazer muito frio no local e o último bus parte cedo de volta a Tromso nessa época do ano. Então eu descobri que dava para fazer um percurso diferente: tomar um ônibus até Skjervoy e de lá pegar um barco da Hurtigruten de volta a Tromso. Essa empresa opera várias viagens por aqui, para quem quer ver os famosos fiordes noruegueses. Mas muitas dessas viagens só ocorrem no período de fim de abril a setembro ou outubro, devido ao inverno. Não era o caso dessa, por minha sorte.

“Eu recomendo muito essa viagem pra hoje”, disse o guia. “O barco passa por áreas realmente escuras, e o céu está sem nuvens”.

Fali mais um pouquinho, mas comprei o passe. A viagem é longa. Cerca de oito horas no total. Começando às 16h e terminando quase meia-noite. E congelante. Ficar do lado de fora do navio esperando ela dar as caras quase me deixou sem nariz, mãos e pés. Principalmente os pés.

Verdade é que ela não demorou a aparecer. E “dançou”. E ficou mais de hora aparecendo em um ponto, reaparecendo em outro. E eu nem aí para o frio. Quando percebi, já não sentia mais os pés e tive de entrar na parte interna do barco, com a aurora boreal ainda lá fora.

E dava para se deixar vencer pelo frio diante desse espetáculo, na minha última noite em Tromso?

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Virou festa

Dois dias nublados em sequência. Segunda-feira, bastante gente nas ruas. Tromso, uma ilha, é a cidade mais habitada ao norte do Círculo Polar Ártico. Moram aqui 70 mil pessoas, muitos universitários. Entre os ativos, o sol, que derreteu um tanto da neve que caiu na véspera. O chão ficou bem escorregadio, e eu, traumatizada de um belo tombo que tomei no sábado (mais detalhes em P.S.), dava voltas maiores para escapar das descidas mais íngremes.Isso porque eu precisava mudar de hotel. DE NOVO.

Então, o clima. Como disse Francesco, um dos guias da excursão para ver a aurora, a expedição é muito mais em busca de lugares onde o clima nos ajude a ver a aurora do que das luzes em si. As que vi ontem eram de atividade magnética muito anormal. Porém, sem nuvens no céu, seria praticamente um espetáculo. O que não foi o caso.

Por isso tudo, passei a monitorar também o site de tempo que mostra a nebulosidade do céu de hora em hora. E muda o tempo todo. Na véspera, apontava uns 80%. Hoje, às 16h, apontava 50%. Passei na agência de novo para perguntar quais as condições. Uma menina disse que a atividade da aurora estava muito baixa. Só que, mais cedo, não era isso que apontava o site de forecast. Fiquei meio cabreira. Quase não fui. Mas voltei lá e assinei, pela terceira vez, o cartão de embarque do bus rumo ao lugar de menor nebulosidade pesquisado pelos guias.

De novo, duas horas de viagem. No caminho, Francesco explicou que a atividade estava mesmo muito baixa. Como havia ocorrido uma tempestade solar em 15 de março, isso se refletiu na aurora por esses dias (leia mais aqui). Isso teria levado os sites de forecast a apontar atividade mais intensa. Lá pelas tantas, ele viu que estava aumentando para as próximas horas mesmo.

Mas todo mundo no ônibus já estava meio desesperançado. Chegamos a Skjold – o ponto de observação dessa noite – e pensei “bom, pelo menos está um céu de planetário”. E tava lindo mesmo.

Nenhuma nuvem em Skjold

Nenhuma nuvem em Skjold

Francesco, que antes de ser guia é fotógrafo profissional e toca paralelamente um projeto chamado Northern Shots, avisou: “Tem atividade aqui. Invisível a olho nu, mas a máquina fotográfica registra. E tem rosa também, não apenas verde”

Todo mundo virou os tripés para o mesmo ponto. Mas era algo realmente bem tímido.

Também em rosa por hoje

Também em rosa por hoje

Mas parecia que ia ficar por isso mesmo. E todo mundo foi se aquecer com chocolate quente e biscoitos (eu janto isso há três dias, mal posso ver à frente, por ora).

E aí, de repente, apareceu. Devagarinho, ficando mais forte. E o céu ficou tipo assim:

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E assim…

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… e mais um tanto…

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P.S.: o tal tombo. Voltava eu do outro lado da ilha, na ida ao funicular – aquele fechado, em manutenção. Com um mochilão nas costas, outro na frente e a câmera nova na mão direita (tinha acabado de tirar umas fotos), fui atravessar a rua e escorreguei bonito. Para salvar a Canon, caí todo o lado esquerdo. Sem luvas, queimei a mão (é, gelo queima mesmo) e ganhei uma bela dor muscular na coxa esquerda. Mas a câmera ficou inteirinha. Estão aí as fotos da aurora para comprovar 🙂