"A ausência é um estar em mim…"

O título é um trecho de um poema do Carlos Drummond de Andrade. Achei-o perfeito para definir a saudade que tem andado comigo, sem descanso…
O beijo na textura da pele já envelhecida de um coração jovem.
O “grunhido” quando eu dava um abraço de quebrar ossos (que eu fazia só para o ouvir o barulhinho simpático, eu confesso).
O peso da mão no meu ombro quando caminhávamos juntos – e toda segurança que isso passava
O “eu te amo” mais completo do mundo. Uma frase pequena, mas sempre coberta de adereços – o olhar caramelo esverdeado cheio de carinho, o sorriso, a simpatia incansável.
O pedido de cafuné e a textura do cabelinho bem liso e grisalho.
As conversas, a inteligência de um homem autodidata que, mesmo sem ter terminado sequer o colégio, falava quatro línguas.
Não há saudade onde não há presença…

Anúncios

– Tu teve mais sorte que aquele ali, ó – aponta o enfermeiro do HPS para um cara em uma maca com o braço sendo todo costurado após um ataque de rottweiller.
O que eu fazia ali? Tava tomando a anti-tetânica por causa de um poodle histérico que resolveu me morder enquanto eu corria pela 24 de Outubro.