Um memezinho, para desenferrujar

Como meme é coisa que não apenas se passa adiante, mas também  se “rouba” dos outros, furtei esse da Marcia Benetti

O título desse é sete coisas que você não sabia sobre mim

1) Eu durmo até hoje com um travesseirinho menor que os outros, que eu gosto de colocar sobre o rosto antes de dormir. Desde pequena, houve variações dele (imaginem se o mesmo tivesse sobrevivido nesses quase 29 anos! ECA). Além das fronhas serem infantis, ninguém, exceto eu, pode usá-lo. Ah, ia quase esquecendo de contar: eu bati pé e fiz escândalo na vez em que minha mão perdeu a “primeira versão” dele na rua. Quase fiz ela voltar todo o caminho para encontrá-lo.

2) Minha merenda preferida nos tempos de escola era cacetinho (pão francês, para os paulistas) “adormecido” com margarina e… AÇÚCAR. Pior que isso só o Luciano, meu irmão, que come pão com mostarda e açúcar. Mas e daí? bizarro mesmo é gostar de frutas cristalizadas, vamos combinar, né? aquele negócio coloridinho e gelatinoso, argh

3) Quando eu como arroz, feijão e carne, eu PRECISO comê-los todos juntos. Assim ó: eu ponho a carne na ponta do garfo e empurro com a faca um tanto de arroz e feijão para o resto do garfo e levo todos à boca. Eu juro que a dôtora não diagnosticou TOC.

4) Tá, agora é para queimar o filme mesmo: até meus 16 anos, eu nao conseguia “ir aos pés” (usando o linguajar de quem vai ao médico e fica com vergonha de dizer que caga – ups, escapou!) em outros lugares e, nem mesmo, na minha própria casa, caso o resto da família não estivesse ausente ou dormindo. Uôu! very weird, I know it. Mas eu sigo jurando: a dôtora não disse que eu tenho TOC. Também, depois de um ano de psicoterapia, hoje não existe hora nem local para o meu amigo intestino.

5) Eu tenho uma memória de elefante. Tá, essa não é tão novidade assim, pois eu vivo escandalizando meus amigos com a lembrança dos fatos mais bizarros e inúteis.

6) Eu tenho vergonha de chorar na frente dos outros. Ontem mesmo fui ver Marley & Eu e tentei não fazer parte do coro de fungadas da sala de cinema, deixando rolar apenas lágrimas disfarçadas. Mas nada me segura em Cinema Paradiso. Deus, aquela trilha sonora do Morricone deve ter algum encantamento. Não é possível! posso estar vendo o filme pela enésima vez que não dá para resistir às aventuras de Toto e Alfredo.

7) tenho a mania de começar vários livros ao mesmo tempo, o que, por vezes, faz com que demore alguns meses para terminá-los.

Passo adiante para todo mundo, mas o André TEM QUE FAZER. Quero só ver o que ele vai colocar 😉

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Quase três horas de curiosidade

Passadas umas duas horas de filme eu lembrei de que já estava na sala de cinema “há um certo tempo”. Olhos concentrados na tela, queria mesmo era que ainda houvesse outras duas. Assim se passaram as quase três horas em que assisti ao novo filme de David Fincher. O Curioso Caso de Benjamin Button (2008 ), com Brad Pitt e Cate Blanchett, estreiou na última sexta-feira, dia 16.

A produção é baseada no conto de F. Scott Fitzgerald, de mesmo nome, publicado em 1922 na revista Collier’s Weekly. Trata-se da diferente história de Benjamin Button, um bebê que nasce velho, em 1918, com problemas da velhice – como catarata e artrite –, e que rejuvenesce com o passar dos anos. Com a morte da esposa durante o parto, o pai de Benjamin, após perceber a estranheza da criança, abandona-a na porta de uma espécie de lar de idosos, onde ele é encontrado por Queenie (Taraji P. Henson), administradora do tal lar. Ela resolve criá-lo, mesmo com as expectativas de que talvez ele não tivesse muito tempo de vida.

Criado no meio de idosos, Benjamin não se sente estranho, mas conhece, desde cedo, a dor de perder aqueles que lhe são queridos. Ainda criança (em idade), conhece Daisy (interpretada por Blanchett na maturidade), a neta de uma das integrantes do asilo. Com ela, Benjamin brinca e, quando adulto, apaixona-se.

Depois de chegar aos 17 anos, já não tão envelhecido, o protagonista resolve partir para conhecer o mundo e a vida. Entre aventuras, trabalho e mulheres, percebe-se que o amadurecimento de Benjamin é inversamente proporcional a seu rejuvenescimento.

A parceria Fincher e Pitt já rendeu outras dádivas ao cinema. A primeira delas foi em 1995, com Seven. Depois veio O Clube da Luta, de 1999. Mas nenhuma comparação aqui é possível. E isso se deve, em parte, ao roteirista Eric Roth, o mesmo de Forrest Gump (1994). A ingenuidade e a delicadeza de Button, personagem de Pitt, lembra um pouco a história da personagem de Tom Hanks.

Mesmo fantástica e inusitada, a história do garoto que nasce velho e se torna cada vez mais jovem se aproxima da realidade pelos fatos que envolvem seu enredo, como as Primeira e Segunda Guerra mundiais e o furacão Katrina, que atingiu New Orleans – o lugar onde se passa o filme – em 2005. Orçada em 150 milhões de dólares, a obra conta com bons efeitos de maquiagem. Pitt – que viveu a maioria das fases da personagem, passando a bola a atores mirins apenas nos últimos momentos – precisava de cinco horas diárias para concluir a caracterização física da personagem.

Um pouco em tom de fábula, a produção fala de vida, morte, envelhecimento, juventude e, principalmente, das fronteiras tênues que separam tudo isso. O tempo não deixa de ser também uma personagem do enredo, uma vez que ele passa para todos, independentemente do sentido em que se dirige. De bebê a velho, ou de velho a bebê, passamos pelos mesmos decobrimentos, mesmas dores, mesmas dependências ao mundo externo – o que inclui as pessoas que nos rodeiam. O que importa, portanto, não é em que sentido a vida passa, mas como fazemos ela passar e os princípios que nos levam adiante.