Hipocrisia

Reino Unido desiste de pedir visto a brasileiros

Depois de cogitar pedir visto para turistas brasileiros ou de enviar agentes de imigração para fazer triagem nos aeroportos do país -medida rechaçada pelo Itamaraty e pelo presidente Lula-, o Reino Unido decidiu manter o Brasil na lista de países com isenção de vistos. No ano passado, o Brasil foi incluído numa lista de 11 países (entre eles Bolívia, Venezuela, Namíbia, África do Sul, Lesoto e Suazilândia) que representam riscos para o Reino Unido em relação à imigração ilegal, à criminalidade e à segurança. À época, a medida provocou polêmica e recebeu censura do presidente Lula e do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que disse que o Brasil aplicaria o princípio da reciprocidade caso o Reino Unido exigisse mesmo o visto dos brasileiros. A estimativa é que aproximadamente 150 mil brasileiros vivam atualmente no Reino Unido, entre legais e ilegais. Em 2007, dado mais recente, 133 mil brasileiros saíram do país e desembarcaram em terras britânicas.

Fonte: Folha de S.Paulo de 11 de fevereiro de 2009

Eu me pergunto o que fez o Reino Unido voltar atrás na decisão. Será que é porque seria muita hiprocrisia considerar o Brasil um risco à imigração ilegal, à criminalidade e à segurança, quando eles levam nos ombros a culpa de balear e matar um brasileiro inocente pelas costas?

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É por isso que todos os velhinhos me doem

Tem uma frase do filme O Curioso Caso de Benjamin Button que, além de fazer os espectadores rirem, ficou martelando na minha cabeça. Lá pelas tantas, Daisy (Cate Blanchett) diz para Benjamin (Brad Pitt): “Que diferença faz se no começo ou no fim todos usamos fraldas”.

Pois é. Que diferença faz? Não foram poucas as vezes em que vi pessoas olharem para as pessoas velhinhas – às vezes em cadeiras de rodas, às vezes esquecendo os fatos, às vezes usando fraldas – e comentarem: “Quero morrer logo, não quero ficar assim”. Outras tantas olham para seus pais, tios ou avós e ficam desconcertados por vê-los precisando de suporte.

Crianças também precisam de suporte – ou de fraldas –, mas ninguém se atreve a achar triste ou decadente. Porque as crianças são o futuro. Mas e os velhinhos? Que lugar simbólico lhes sobra além do fim?

Todos os velhinhos me doem. Não porque eu fique triste por eles ou sinta pena ou os ache decadentes pelo uso de fraldas. Todo velhinho me faz lembrar do tempo que ainda faltava para meu pai precisar de suporte. A cada cabeça branca na esquina, a cada passo mais lento a minha frente, eu vejo um pouco dele alguns anos além. Imagino-o esquecendo coisas, trocando fatos, pedindo o meu braço para levantar.

E em cada passo em falso, em cada tombo, em cada refrescar de memória, eu estaria lá. Por isso – e quaisquer outros motivos seriam estúpidos – é que todos os velhinhos me doem.