Farelos de recordações

O que revirar uma caixa de recordações não faz pela nossa memória? Como, sem ela, poderia lembrar que já me fizeram uma festa surpresa de aniversário?

Ali estão os tempos em que os Correios eram a solução para a saudade. Na carta,  a amiga diz que chegará na próxima semana. Lembro, então, que volta e meia passava no bazar para comprar aquelas fichas metálicas de telefone e ligava no telefone vermelho, de disco, instalado na farmácia que não existe mais. “Ela já chegou?”.

Saudade, nesse tempo, não passava disso. Era a falta das amigas nas férias. No meio dessas cartas, encontro a letra do meu pai. Cursiva, bonita. Mas isso ainda não é saudade, pois parece sempre que a gente vai se encontrar daqui a pouco.

Minha caixa de recordações é minha versão de João e Maria. São os farelinhos de pão que me ajudam a encontrar o caminho de volta. A diferença é que nenhum passarinho comeu, mas ainda assim é como se eu tivesse me perdido no caminho.

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