Faz um bocado…

… me prometeram todo o amor do mundo. Chorei. Não de emoção. Medo. Transpareceu nos olhos.

“Já te prometeram isso antes, né?”. Não sei mentir, desculpe.

Mas tentei. E me machucaram de novo.

Chorei de novo. De raiva. Raiva de acreditar no que já foi mentira. Ainda que na boca de outrem.

Me apaixonei. Tesão pelos poros. Dormi mal, suei frio, emagreci. Mas já não acreditava mais.

Deixei levar. Perdi toda habilidade emocional. Desejei chorar de amor como antigamente.

Já me achei volúvel.

Mas não consigo esquecer a primeira de todas as promessas.

O coração inocente.

Não te odeio. Jamais.  Sinto raiva apenas por não conseguir apagar a referência.

Ainda te cobrarei um dia.

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Insônia

Tento descansar no avião quando uma criança começa a gritar. Não entendo o que ela diz, mas me acorda. O medo de que um caranguejo invadisse minha barraca também me manteve desperta parte das noites anteriores. Medo bobo esse de um serzinho que nem consegue andar sempre na mesma direção.

O sono virá, ainda que, tal qual o caranguejo, divida-me em muitas direções. Não consigo encontrar, sozinha, onde será a confortável esticada. Colchonete de barraca ou colchão de apartamento. Poltrona de avião ou chão de aeroporto. Viajo quilômetros para viajar no trance e é o Pavarotti cantando com Tracy Chapman, na TV de uma lojinha de CD, que me deixa um bocado arrepiada.

Caranguejo, não me traga de novo os sonhos. Também tenho medo deles.