Dos fins que não conheço

Volta e meia não termino livros. Há sempre esse cansaço antes do fim, essa promiscuidade literária que me faz começar outros e outros e outros e sempre esquecer de terminá-los.

Crusoé deixou a ilha e eu senti falta de Sexta-Feira. A civilização pode ser tão chata todo e atual dia a dia quanto em entrelinhas passadas. É como a aventura que termina e deixa ressaca.

Ana Karenina trocou a aristocracia por um grande amor. No fundo há uma falácia. E ela pode ser contada por Tolstoi ou em Bianca-papel-jornal, não importa o propagador de ideias que, para uma cética, não fazem volume.

Antes de me convencer que, de toda a cegueira, a que mais incomoda é a de que se é volúvel… e frágil… e escatológico, fechei a falta de pontuação de um saramago na página em que eu já também não marcava.

Esse cansaço antes do fim… essa falta de pontuação… as falácias. Volta e meia não me termino.

Anúncios