fugere

nunca tive amigos imaginários, mas brincava sozinha bem de boa. filmes de aventura eram o máximo e, às vezes, imaginava todo um script só para mim. no quintal, o skate no chão de concreto era meu barco na lagoa azul de brooke shields.

nas últimas férias, tive minha primeira experiência em viajar sozinha. foi apenas uma semana, mas já foi suficiente para eu saber que rola. parto, no final de março, para 25 dias longe de casa, família e amigos. e estou ansiosa por isso.

há quem estranhe isso de gostar de estar sozinha. ir ao cinema sozinha. viajar sozinha.

não sou bicho do mato. mas às vezes sinto o sufoco de um mundo de estímulos em que eu não tenho tempo de internalizar tudo. nas últimas semanas, foi tanta socialização que me falta, agora, a dose extra de contemplação silenciosa.

só correr já não dá mais conta dessa necessidade. os caminhos começam a se repetir, os 10km já viraram 15, e ainda estufo o peito na esperança de inspirar a falta. mas o shot de oxigênio continua ausência.

como eu não faço o tipo forrest e quero manter meu joelhinho são até a maratona de porto alegre, ponho fé nessa viagem meio louca que farei pelo chile. roteiros ainda se desenham. por ora, sei que vai rolar um atacama.

então, de hoje até lá, pretendo pelo menos escrever sobre isso.

 

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