salar de uyuni

foi um segundo dia cansativo depois que todo mundo dormiu umas poucas horas com direito a pouco ar. pelo menos o frio não foi tão assustador quanto tinham nos avisado. o saco de dormir que o isma me emprestou foi suficiente, aliado a umas duas cobertinhas.

a primeira atração do segundo dia é a famosa árbol de piedra, no deserto de siloli.

é um dia em que se passa por várias lagunas, como a hedionda, vê-se mais alguns flamingos, outras tantas formações rochosas etc. galera, em geral cansada, não via a hora de chegar no segundo alojamento, sabendo que ali deveria rolar um banho. e até tinha. mas no meio do primeiro banho, do casal de alemães hannes e christina, a água parou de vir, para quase pânico deles, ensaboados, e dos brasileiros na fila (os suíços e o francês do meu jipe não se preocuparam muito com a questão).

mas deu tudo certo. limpos e com fome, comemos batata frita e carne, ignorando a cena que vimos logo na chegada, das patas de um animal na beirada de uma janela, e os pedaços da nossa futura janta em cima de uma mesa. afinal, até vinho rolou na janta desse dia. e todo mundo, mais aclimatado, dormiu super bem. também porque sabíamos que no outro dia, enfim, chegaríamos ao salar.

pra isso, o dia começou cedo. no caminho passamos pela sede da agência no centro de uyuni, onde precisávamos deixar as mochilas maiores. rumo ao salar, visitmos o cemitério de trens.

dali ao salar foi bem rápido. no deserto de sal, nesse período de abril, quando ele normalmente está mais alagado, há o brinde do espetáculo dos reflexos. de longe, fica difícil identificar o horizonte, onde começa salar, onde começa céu. em compensação, corre-se o risco de não poder atravessar todo o salar, e a isla del pescado pode ficar de fora do passeio se estiver muito alagada, o  que foi o nosso caso. perdemos de ver os famosos cactus gigantes, mas, ok. a visão que tivemos só de chegar até o museu de sal e hotel de sal playa blanca – até onde podíamos ir – já foi algo para não esquecer.

tive de tirar as botas para andar no deserto, pois dizem que o sal corrói tudo. almoçamos ali, tiramos mais algumas daquelas fotos divertidas e depois voltamos ao centro de uyuni, onde ficariam os gringos, e os brasileiros rumariam de volta a são pedro de atacama.

na agência, por algum motivo estranho, queriam que eu retornasse sozinha em um jipe, enquanto os outros quatro iriam em outro. por fim, o javier, motora que nos acompanhou, concordou que eu voltasse com todo mundo. foi uma viagenzinha de quase quatro horas meio tensa. pegamos a estrada à noite, pela primeira vez. quase chegando no  pueblo onde passaríamos a última noite, o javier começou a fazer sinais estranhos com os faróis para um carro ao longe. parou o jipe dele, esperou o outro que vinha com as mochilas, e seguimos em frente. ninguém entendeu muito.

no alojamento, bem simples, descobrimos um chuveiro, mas não descobrimos a água quente. abstração do banho, once again. depois da janta, filipi, do casal carioca, resolveu perguntar sobre o lance dos faróis. javier contou que, entre os motoristas, existe um sinal de quando precisam de ajuda. no caso, o outro carro não respondeu como esperado. “o que era então?” “podia ser um assaltante”. super tranquilizante, he. buenas, ao menos ele só nos contou quando já estávamos mais a salvos.

para voltar a são pedro, partimos às cinco da madrugada. uma friaca forte. saímos sem café da manhã mesmo. tomaríamos na fronteira com o chile, onde, javier nos avisou, poderiam tentar nos passar o golpe na imigração, pedindo grana para carimbar a saída da bolívia. dito e feito. os caras queriam 15 bolivianos. galera falou que não tinha dinheiro, perguntaram com quem vínhamos, resmungaram um bocadinho, mas, por fim, carimbaram sem a tal cobrança.

depois, rola uma espécie de “limbo fronteiriço”. deixamos os jipes para embarcar numa van que nos leva por cerca de uma hora até a imigração chilena. era a hora de dar tchau ao javier, esse boliviano tão querido que nos aguentou por quatro dias e ainda furou o pneu na finaleira. na foto, ele com a roupinha de mecânico, depois de fazer a troca.

em são pedro, aluguei o filipi e a paula até a hora em que eles pegariam o bus para calama. a gente se deu o direito de comer no adobe, seis mil pesos chilenos por um menu del dia. não que a gente tenha comido mal durante a viagem. mas um temperinho bom fez a diferença.

depois disso ainda consegui passar uma vergonhazinha básica no terminal de ônibus da tur bus. a 1o minutos do filipi e da paula pegaram o ônibus deles para calama, onde tomariam um voo a santiago, eu consegui ficar trancada no banheiro. filipi já tinha tentando botar a porta abaixo umas duas vezes quando destrancou. nisso, só faltavam os dois a embarcar no bus e todo mundo me olhava. perdi o tempo da despedida final e a oportunidade de dizer que eles foram uns queridões a viagem toda. que me esperem a visitá-los no rio, certamente. tentarei não ficar trancada em banheiros por lá.

passada a vergonha – ou não -, peguei minhas mochilas e fui dar as duas últimsa horas de banda por são pedro. ou melhor, cheguei até a praça central, sentei e esperei, afinal já não havia mais nada a se fazer na cidade. às 19h30min, entrei no bus rumo a minha última noite em santiago. mas, até lá, foram outras 23 horas de viagem. bem dormidas, mas sem banho e com medo de girar a chave do banheiro.

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altitude, frio e a cumbia boliviana

Nada tinha me assustado, nesse quase um mês de viagem sozinha, até começar a programar o passeio ao salar de uyuni, na bolívia. e olha que eu aprontei de tudo um pouco até esse ponto do roteiro, como fui contando por aqui. fato é que, se tem uma coisa que me dá medo, sozinha ou não, é depender de estradas ruins e motoristas desconhecidos. de certa forma, assim seria minha reserva do tour ao salar: um chute quase no escuro.

depois da função pesquisa por uma agência decente para fazer o passeio de quatro dias, em jipes 4×4, fiquei mesmo com a mais carinha, mas que, ao que tudo indicava no trip advisor, era a mais aconselhável. Para se dirigir ao maior deserto de sal do mundo (12 mil km²), saindo de são pedro de Atacama, existem duas opções: uma viagem de três dias e duas noites, ficando no fim do tour por uyuni mesmo, cidade na bolívia sem nada para fazer, ou em quatro dias e três noites, voltando para São Pedro. Fiquei com a segunda, já que era mais barato voltar para poa de santiago do que de algum lugar da bolívia.

uma vez acertado tudo com a agência e comprados os “snacks” para a viagem de quatro dias, terça-feira pela manhã, pouco antes das 8h, estava eu em frente ao escritório deles, como combinado, mas não havia sinal de ninguém no local. por um instante, cheguei a pensar que tinha entendido algo errado. até que chegou um casal de brasileiros, do rio de janeiro.

após chegar alguém da agência, trocamos dinheiro, compramos água e, dali, fomos em uma van até a fronteira chile-bolívia. o posto de saída do chile era bem direitinho, já o de imigração da bolívia… julguem por conta própria.

"posto" de imigração boliviano

Depois de todos os procedimentos de imigração é que a aventura começa mesmo. Em 12 pessoas, fomos divididos em dois grupos de seis para dois jipes. não fiquei com os brasileiros, pois um dos carros ficou com os três casais da excursão. tive de ir para o outro, com um bando de suíços e um francês.

viagem em jipes 4x4

Rolou uma dor de cabeça de tanta gente falando alemão ao mesmo tempo, somado a um calypso boliviano rolando solto na rádio do Alejandro, motora que dirigia o nosso jipe. nesse primeiro dia, vimos as lagunas blanca e verde, ao pé do vulcão licancabur, mais a laguna colorada e seus flamingos.

laguna verde

Isso tudo depois de tomar um banhinho (o único do dia, diga-se) em águas termais e visitar os geysers sol de la mañana, a uma altitude de 4.985 metros, conforme marcava o relógio do cristian, um dos suiços que ia no meu jipe.

acho que, até então, não tinha estado em um lugar tão alto. não sofri como no segundo dia da trilha inca, no peru, uma vez que o esforço físico aqui é menor, né? (galera fica um tempão dentro do jipe). anyway, nessa primeira noite, todo mundo dormiu mal pra caramba e se acordou pelas duas da matina, com uma sensação de chapadeira.

eu não cheguei a me sentir “perdida”, mas respirei mal e fiquei com uma p*** dor de cabeça. deveria ter arranjado umas folhas de coca.

do sul ao norte

à parte o “intervalo” santiago, salto agora do sul patagônico ao norte atacamenho. para san pedro, pouco havia me organizado, como para o roteiro em torres del paine. sabia de uns dois ou três passeios que queria fazer e que tentaria alguma forma de fazer o salar de uyuni, na bolívia, mas retornando depois ao chile, de onde seria mais barato retornar ao brasil. mas nem passagem de volta eu também tinha comprado. algum sintoma de quem não quer voltar?

por um relato que encontrei no site do mochileiros, vi uma agência que fazia os passeios e mais uyuni. e assim fui negociando. quando as reservas já estavam meio caminho andado, resolvi ir atrás de mais relatos de viajantes sobre a agência. e comecei a me apavorar: desde motoristas bêbados a jipes ruins (a viagem ao salar é em jipes 4×4) até uns papos de que já morreu gente na travessia.

por fim, acabei cancelando uyuni e deixando para decidir a agência quando chegasse em san pedro. paguei mais caro, mas, pelo menos, todos os relatos no site trip advisor são mais tranquilizantes. o que eu não poderia era deixar de fazer o passeio, afinal, por causa das condições do tempo, não rolou fazer el tatio e seu geysers, o top top aqui de san pedro.

outro percalço era achar um hostel barato e bom. os viajantes falavam mal da maioria deles (mas depois também me dei conta que a galera quer luxo no deserto, hello!). de qualquer forma, consegui vaga em um bem cotado por aqui, o sonchek, pertinho do terminal de bus.

Hostel bom, barato e limpinho

 

o primeiro passeio foi ao valle del arcoiris, de que nunca tinha ouvido falar. foi a atividade que a agência achou para substituir el tatio, já que não devolvem o dinheiro. maomeno. legal mesmo foi o tour da tarde, ao valle de la luna e de la muerte, com direito a um pequeno espetáculo do pôr do sol. mas esse tava planejado desde o início.

Pôr do sol no valle de la muerte

já na segunda de manhã, saí bem cedo rumo às lagunas altiplânicas. sobe-se a uns 4 mil e poucos metros de altitude e rola até uma neve. uma paisagem bem bonita de se ver. o guia desse passeio, o mesmo dos valles na tarde anterior, começou a se “aprochegar” muito e fazer perguntas sobre viajar sozinha, namorado, idade, bla bla. quando me deixou no hostel na volta do passeio, disse que me buscaria de tarde para dar uma banda de bike. obviamente, não fiquei no hostel no tal horário. enfim, nesse lance de viajar sozinha é bom ser precavida duas vezes, não?

Laguna Miscanti

nessa terça, parto cedinho para o salar de uyuni, na bolívia, o maior  do planeta. são quatro dias visitando paisagens que, dizem, são de tirar o fôlego, como as lagunas verde e colorada e o próprio salar. desejem-se sorte. retorno a san pedro na sexta-feira, para mais 23 horas de bus rumo a santiago, onde passo mais uma noite antes do meu voo de volta a porto alegre.

santiago (2)

comecei meu curso de espanhol na segunda-feira do dia 4 com um primeiro susto. na verdade, o alojamento na casa da professora não estava incluído no valor, como eu imaginava. isso me custou uns 140 e poucos dólares a mais, bem mais caro do que se continuasse no hostel. mas, enfim, foi bom,  já que o curso era de apenas uma semana. valeria mais para a imersão.

como todo mundo diz, realmente os chilenos falam rápido. mas nenhum fenômeno que eu já não tivesse percebido também nos argentinos ou nos uruguaios. e como o pessoal chileno é gente fina e parceira, sempre te atendem com atenção, o que significa também falar mais devagar.

na escola, tinha optado por uma semana intensiva chamada turbo ou combo, algo assim. tinha aulas do meu nível, intermediário, das 10h às 13h30min, com um intervalinho, e uma hora e meia de aula particular todos os dias, quatro deles com um professor gente finíssima, o sebastián, que me deu um pouco de conteúdo do nível avançado.

galera da rua com quem eu precisei conversar sempre acha que eu falo bem, mas, na verdade, só na escola pude ver o quanto de portunhol ainda escapa. espero ter melhorado um bocado disso, porque portunhol é um saco, sinceramente. das coisas que me fazem sair na frente é ter a facilidade com os “rrrr”, graças ao querido victor, amigo colombiano que fiz em londres e repetia meu nome assim: “rrrrrita”. a outra é não confundir a informalidade do tu com a formalidade do usted, do espanhol falado na maioria de nossos vizinhos. confusão típica dos brasileiros. ponto para os gaúchos.

por sorte, todo dia de manhã eu e lidia saímos no mesmo horário. ela tem várias histórias para contar, muito legal. e assim também não me perdia, porque ela mora numa ruazinha pequena, meio difícil de achar, mas num bairro muito tranquilo, nuñoa. íamos de táxi compartido, algo que achei fantástico em santiago. são linhas de táxi que levam pessoas diferentes pelo valor de uma passagem de ônibus, basicamente.

já a escola ficava no bairro providência, pertinho da zona mais boêmia da cidade, o bairro bella vista, mas também não fiz nada muito boêmio nesse período. no máximo, fui numa festinha em prol dos animais de rua, que a lidia me convidou.

festinha el perroton, em prol dos animais de rua

gostei do curso e da estadia em santiago. conheci mais umas tantas pessoas e já estava até me acostumando com o ritmo às vezes meio enlouquecido da cidade, passado o choque inicial patagônia-cidade grande. pena não poder ter visto a cordilheira “protegendo” a capital em sua totalidade, já que não chovia há um tempo em santiago e rola um smog forte.

fiquei de domingo a sexta na casa de lidia. no último dia mesmo, peguei um bus para san pedro de atacama, para me meter em novas “empreitadas”. foram 23 horas em um bus semi-cama (mais barato). para a volta, comprei passagem mais cara, tipo salon cama. mas a semi-cama mesmo estava ok. só me assustei com a quantidade de homens que entraram no bus, he. mas, ok, dormi feito um bebê de qualquer forma.

san pedro fica para os próximos capítulos.

santiago (1)

Acabou que eu me decidi por não fazer o esquema punta arenas-santiago-viña del mar. Fiquei direto por Santiago mesmo porque achei que com a função da escola, não teria muito tempo para visitar pontos turísticos e tal. em verdade que dá para matar os pontos principais em dois ou três dias, até porque eu não tava com muito saco de me dedicar a museus e os lances turísticos mais bombantes. queria mesmo viver a cidade.

fiquei no hostel che lagarto, bem localizado, na região central, a umas cinco quadras, no máximo, da Plaza de Armas. no hostel mesmo, tinha uma brasileira no meu quarto, a pollyanna. saímos a passear juntas nesse primeiro dia pelos atrativos mais históricos ali do centro. no meio desse caminho, pessoas na rua nos paravam, além dos “carabineros”, para avisar do cuidado que se deve ter com bolsas e pertences nessa região da cidade. dizem que no metrô também tem de ficar de olho.

Palácio de la Moneda

 

na sexta, fui ao cerro san cristóbal. como em toda a vida só fui ao zoo de sapucaia, aproveitei para dar uma banda pelo que tem no caminho do funicular. pena que os bichos que me interessavam mais estavam todos no clima “siesta”.

O tigre tava num lance sonequinha

não cheguei a vasculhar todo o parque, mas a vista do cerro é bem legal. ah, e antes de turistar pelo san cristóbal, fui buscar meu kit corredora de 10 km, constituído de um chip, uma camiseta, meu número de inscrição e mais umas firulas. como a entrega era durante a expo maratón, aproveitei para pegar biscoitinhos, sucos e etceteras, coisas que distribuíam por lá e se tornaram meu lanchinho da tarde. foda foi não resistir e gastar uma graninha numa jaqueta adidas, mas, ok, sairia bem mais caro em outra oportunidade.

quem apareceu para falar na expo foi a primeira-dama chilena, cecília morel.

Cecília Morel, na expo maratón

Rolava uma ansiedade com o lollapalooza, que iniciava no sábado. isso porque tinha que retirar os ingressos ainda, e já estava imaginando uma fila gigante. no fim das contas, como já contei antes, fui com o juan carlos, que também tinha de retirar os ingressos dele. a retirara era por inicial do sobrenome, e filas gigantes se formarvam a partir do S. viva os “horn”, mesmo com todo o “esmagamento” porque passei para ter os ingressos em mão, de qualquer forma.

buenos, nesse primeiro dia, deu pra ver los bunkers, cypress hill, steel pulse, ouvir the national curtindo um descanso na rede do parque o’higgins, e, por último, fatboy slim. curti pra caramba os três primeiros, dos quais nem tinha muitos planos de assistir. deu também para tentar dar uma treinada no espanhol, já que passei o dia com o juan carlos.

na volta para o hostel, quase não conseguimos entrar no metrô, mas rolou uma corrida antes que o portão fechasse. fui dormir direto, cansada e com um pouco com fome, preocupada com o baixo consumo de carboidratos pra quem tinha que correr 10km às 9h15min da manhã.

a maratona foi bastante divertida. tipo a de porto alegre multiplicada por cinco em número de participantes. eram mais de 25 mil deles, dentre os que correriam 10, 21 ou 42km. fiz em tempo recorde pessoal: 54 minutos. e como já tinham me dito, pouco se sua no chile, por causa do tempo seco. do início ao fim, volta e meia rolava um chi chi chi le le le, viva chile! quase entoei junto, he.

por onde corri os 10km

da maratona, tinha que correr ao hostel, packing again, e então seguir para a casa da lídia, onde passaria minha semana enquanto estudante intensiva de espanhol. de lá, ainda tinha de correr ao parque o’higgins, para mais um dia de lollapalooza. precisava chegar cedo porque sabia que estavam rolando filas gigantes para o tech stage, onde rolavam os shows alternativos, e não queria perder o devendra banhart.

enfrentei uma fila gigante que não serviu pra nada. todo mundo se esmagou e rezei para não cair no chão, pois tinha certeza que seria pisoteada. mas, enfim, consegui entrar.

não consegui encontrar o juan carlos nesse dia, entonces encarei o festival sozinha. por isso, depois do devendra, só rolou de ver mais fischerspooner e rumar de volta para a casa da lidia. com isso, infelizmente, não rolou de ver jane’s adiction. como ela morava perto do estádio nacional, mas numa rua que nenhum taxista conhecia muito, achei mais prudente voltar quando ainda estava claro.

a casa era bem legal, lidia e seus sobrinhos eram uns fofos e a cama era muito boa! buenos, relatos dos meus próximos dias em santiago e do curso de espanhol virão na sequência.

Heavy boots

Não chove há um tempo em Santiago e o smog não te deixa ver a cordilheira

De tanta circulação em van, ônibus, catamarã e pernas naqueles dias de Calafate e sul do Chile, entrar naquele voo Punta Arenas-Santiago foi quase um estranhamento. Ainda que o aeroporto da cidade fosse minúsculo, era muita “modernidade” depois de uma “vida tão simples”.

Três horas de bus até punta arenas, mais cinco horas de voo até santiago.  praticamente terminei “adeus, columbus”, do roth. um episódio de friends no voo amainou o sentimento de heavy, heavy boots. não sei porque sempre sonho com meu pai quando tô viajando.

Cheguei a Santiago às 20h30min de quinta, 30 de março. casacos, mantas, luvas, tudo pro fim da mochila. peguei um transfer vip até o che lagarto, onde ficaria até o início do curso de espanhol. a opção do transfer é bem mais barata do que ir de táxi, tipo uns 1o mil pesos chilenos a menos (ou 1o lucas, como eles dizem).

hostel bombando com a aproximação do lollapalooza no fim de semana, mais a maratona de santiago 2011 no domingo. desisti da ideia de ir pra vina del mar e valparaiso pra conhecer a capital nesses dias, já que estaria envolvida com os dois tais eventos e o curso na outra semana. no fim, foi uma boa ideia.  ia sozinha no festival, e isso tava me deixando um pouco ansiosa (patagônia, tudo bem, com esse amontoado de gente, não!).  conheci no che lagarto um cubano que também tava sozinho pro festival e fomos junto no primeiro dia. saca só o nome: juan carlos. boa coincidência, não?

o trânsito, o amontoado de pessoas, os guardas te parando pra dizer que se tome cuidado com bolsas e máquinas, tudo isso te dá uma primeira sensação de insegurança, mas santiago me parece mais segura do que porto alegre. o que me incomodou mesmo, de início, foi o agito todo, afinal, foi um salto dos 19 mil habitantes de puerto natales para os mais de cinco milhões da capital.

mais sobre o festival, a maratona e minha estadia na casa de Lidia, professora da escola onde to fazendo uma semana de intensivo de espanhol, fica pra depois. amanhã vou pra San Pedro de Atacama, umas 23 horas de bus, o que me faz querer aproveitar a última noite na caminha boa onde estou!

I Love Patagônia

Como a vida deve andar – e aqui em Santiago anda pra caramba (inda to me acostumando com esse agito todo) -, vou encerrar nesse post os dois últimos dias de torres del paine.

no refúgio los cuernos, dormi super bem, na primeira noite sem dor no rosto e com a tranquilidade de que não caminharia sozinha no outro dia. esse albergue era mais simples, sem cama arrumadinha, mas com o saco de dormir e umas roupas a mais dava pra descansar bem tranquilo.

assim como no dia anterior, seria preciso levar todas as coisas consigo, no meu caso, a mochilona e uma menorzinha. sem dúvida, esse terceiro percurso foi o mais difícil deles. as mochilas foram carregadas pelo pedaço plano até um espaço guarda-parques. a partir dali, pode-se subir até o vale francês só com a mochilinha. thanks, lord! porque é bem puxadinho. muitas subidas e descidas. fiz mais pelas minhas pernas nos 25km desse dia do que em três meses de musculação.

thanks, lord, once again, pelo tadeo ter me convidado a caminhar com eles. tem um caminho que é todo no meio de pedras. sem ele, não saberia como chegar ao vale e, muito menos, como voltar. e morreria de desgosto se tivesse saído de TDP sem ver “el glaciar frances”.

o vale francês e seu glacial

no caminho de volta, pega-se as mochilas nos guarda-parques e são mais umas duas, três horas caminhando até o último refúgio, Paine Grande, o mais aconchegante e com cara de hotel de todos.

apesar da cumplicidade nos percursos desses dois dias, conversávamos pouco. aí, num momento em que eu tinha assumido a frente, ouço meu nome com aquela pausa que se faz para uma pergunta meio solene. “rrrita… tienes novio?”

ri. e não menti, como as vezes a gente tem de fazer em alguma festa para não ser importunada. e aí fomos conversando sobre isso durante parte do resto do caminho até o refúgio. em paine grande, me sentindo quase desfalecer de fome, abri a mão e paguei US$ 17 por uma janta. boa, ao menos.

para o quarto e o último dia, quando se vai até “el glaciar grey”, os caminhos se divergiam um pouco, por isso cada um saiu a sua hora. eles, um pouco mais cedo. sentada frente a uma das janelas, vi os dois se afastarem até sumirem por trás do guarda-parques de paine grande. não houve tchau. ficou foi esse aperto de ver meu primeiro elo com a patagônia se afastar, sabendo que esse é um encontro para difcilmente se repetir.

coisa de uma hora depois, assumi meu rumo até a última mirada, o glacial grey. o sol, para não mascarar minha tristeza em reconhecer que aqueles eram meus últimos momentos nesse lugar mágico, não deu as caras. chuva fraca, chuva forte, peso da mochila, a ausência da cumplicidade dos dias anteriores. tudo pesava mais nas minhas botas de trekking, que mais de uma vez se afundaram em barro.

O glacial grey e todo o peso desse dia

De volta ao refúgio, depois de sete horas de caminhada, era a hora de tomar o catamarã e rumar para mais uma noite em puerto natales, de onde no dia seguinte partiria para punta arenas, tomar um avião para santiago.

não sabia nem o sobrenome do tadeo, mas dando uma pesquisada pela internet, acabei descobrindo a agência para qual ele trabalha. escrevi pedindo o contato e, quando cheguei a santiago, ele já tinha me escrito de volta, de puerto natales, onde ele mora, ao que tudo indica. mas nessa época, de alta temporada, ele passa mais tempo em TDP, pelo que me falou. taí uma vida que, de certa forma, passei a invejar.

a patagônia foi, até agora, o que de mais inesperado me aconteceu em viagens. até começar a planejar o tempo no chile, sabia da existência do parque, mas não da possibilidade dos circuitos. lendo um pouco aqui, um pouco lá, resolvi arriscar. e achei que seria uma boa oportunidade do silêncio contemplativo, algo que me faz falta vez ou outra.

de observações a posteriori, vale aquelas que encheram minha bolinha nesse primeiro período da viagem. a patrícia, da fantástico sur e que me deu uma baita mão em todo o agendamento do circuito, disse que eu falo bem espanhol. ha, tô me esforçando. bombarei depois do curso em santiago.

já david, o londrino, me perguntou onde eu aprendi a falar inglês, porque achou que eu falava muito bem. deve ter sido porque eu puxo para o british accent, e inglês tem esse sentimento similar ao “gaúcho melhor em tudo.” também disse “I’m impressioned with your balance”. ha, melhor comentário. “You didn’t use the sticks all the trekking”. movimentos friamente calculados, david. na medida do possível.