A voz do casaco azul

“That is not a trail. You have to cross that river” disse a voz pelas minhas costas, partindo daquele casaco azul que era só um ponto na distância há poucos minutos, quando, por volta de 9 e pouco da manhã comecei o segundo dia de caminhada do circuito w e rolava o primeiro momento “perdição”. dessa vez, o objetivo era até simples: ir de um refúgio a outro, apreciando pela ida los cuernos del paine, torres de granito com diferentes cores, e o lago Nordenskjold, de uma cor azul “aleitada” fantástica.

ao contrário do primeiro dia, quando rolava uma galera rumo às torres del paine, comecei os dois primeiros dos 11 quilômetros que compõem o segundo percurso do circuito sem ver ninguém à volta. percebi, então, que duas pessoas, ao longe, vinham  na mesma direção. de princípio menos sinalizado que a primeira trilha, o caminnho quase me pregava uma peça quando fui avisada pela voz do casaco azul.

“gracias”. e segui adiante, cruzando o rio, um pouco mais segura por saber que ao menos duas pessoas deveriam seguir os mesmos passos. em uma primeira parada para fotos, os dois também param. peço para o mais alto tirar uma foto. da primeira conversa, descubro que um deles é de londres. ó lá o inglês em prática de novo.

do que vinha com o londrino, a voz do casaco azul, “where are you from?” “brasil” “and you?” “patagônia”. meio lenta, achei estranho alguém da patagônia estar visitando a patagônia. “como te llamas?” “rrrrita” (sim, gosto de forçar o “r” quando me apresento a um hispano-hablante). “yo soy tadeo y el és david”. e assim ganhei companhia nesse dia ensolarado ao lado do lago do qual descobri o nome por tadeo, ao perceber, definitivamente, que ele guiava o inglês no circuito w.

não caminhávamos exatamente juntos. minha viagem em introspecção seguia seu ritmo. cada qual com seu passo. mas tinha esses “vas bien?” vez ou outra, a mão numa pedra mais alta, um stick de trekking oferecido para o trecho mais deslizante. tudo ficou mais tranquilo.

na chegada ao refúgio los cuernos, sem ter pago por janta ou café da manhã (como já disse, era caro pra caramba, tipo uns 30 pila a janta, uns 20 o café), meu amigo “patagônico” (seria assim?) me oferecia cereais e também a companhia para o terceiro dia de caminhada, rumo ao vale francês. dormi minha primeira noite inteira sem dor no rosto.

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