E, quando de tão injusto, o mundo deixa de ser feito de raivas ou de culpados?

E quando já não há mais ninguém acima de todas as forças pra te dizer que vai ficar tudo bem?

Há mais morfina em mim do que no teu olho aberto que nada enxerga.

Um dia, oito anos tinham os olhos que, apertados, eram igual a um sorriso. e sorriram uma promessa de amizade.

Outro dia, nada havia além de uma voz sem eco, pernas inquietas e um sentimento de que, de repente, se é quase órfão nesse mundo. Gostaria de saber o que tu sonha. E de despertar eu mesma disso tudo.

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buscam-se narrativas

tava ali sentada na grama, lendo meu Bolaño póstumo. um grupo se aproxima de outro:

“somos estudantes de psicologia e a gente está fazendo um trabalho para a faculdade. podemos filmar? a pergunta é: pra ti, o que é felicidade?”.

no livro, rosa acaba de descobrir a homossexualidade do pai. tem uma infelicidade ali. não julgo rosa, não julgo o guri que responde qualquer coisa para se livrar da câmera e do grupo de estudantes. há infelicidades e há subjetividades. cada qual com as suas.

isso, não me percebam. não sei responder isso. há uma dose grande de clichê em também não saber o que é felicidade. pra além da anestesia, tenho, para cada página lida, o lembrete da narrativa inexistente.