Figurinha repetida

Tô sempre revendo minhas fotos de viagem. Ou cruzando com vídeos como esse. Mas verdade é que não tem registro que me salve da vontade de ter a chance de viajar pelo menos um mês pela América do Sul. Refazendo curiosidades. Retomando o fôlego. Silenciando ansiedades.

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Souvenir literário

Foto Daniel Mordzinski

Foto Daniel Mordzinski

Conaprole de baldão, bocadito Lapataia e alfajor Punta Ballena. Nada melhor pode vir na mala que volta contigo do Uruguai. A não ser 615 páginas de Benedetti.

Em um plantão de maio de 2009, quando eu fazia obituários aos domingos, Mario Benedetti morreu. Conhecia pouco dele até então. Do rosto simpático de velhinho da foto que escolhi para a página à voz que lê os próprios poemas que se encontram no youtube, ele me cativou.

São 615 páginas de contos de temas diversos

São 615 páginas de contos de temas diversos

E com ele nasceu minha mania de souvenir literário*. Coincidentemente, junto àquela primeira viagem totalmente sozinha, em setembro de 2010. Entrei em um sebo da 18 de Julio, em Montevidéu, e não resisti a Cuentos Completos. Desde então, tenho tentado trazer, dos lugares onde vou, um livro de um autor local, na língua local. Não consegui para todos os lugares, mas já são três exemplares.

o único lido por completo até agora

O único lido por completo até agora

Quando fiz uma semana de espanhol em Santiago, no Chile, em abril de 2011, meu professor falou de dois autores. Nicanor Parra e Roberto Bolaño. Saí de lá com um exemplar do então recém-lançado Los Sinsabores del Verdadero Policia. O único que consegui ler completo, até agora (mereço um desconto, o Benedetti tem 615 páginas, relembro vocês).

Valendo por dois

Souvenir de valor duplo

A ideia foi adiante nos EUA, quando comprei uma edição especial de aniversário de Howl and Other Poems, do Allen Ginsberg. Foi em São Francisco no The Beat Museum. Acabei não levando nenhum de Nova York, mas como o Ginsberg é de Nova Jersey, mas se debandou para a Califórnia, me convenci de que valia igual (a ideia mais convincente é aquela que a gente começa mentindo pra gente mesmo). Ainda não consegui passar da primeira página. Mas vai dar.

Mas e agora? Que livro trazer da Noruega? E se é para manter a regra de ser na língua local, vai só fazer bonito na estante.

*Sem querer já tinha começado a brincadeira quando vim de Londres com um The Hound of The Baskervilles, do Conan Doyle. Li vários da série Sherlock Holmes na adolescência.

Retomando a brincadeira

Tem uma saudade que tem me apertado o coração tanto quanto aquela de todos os lugares onde ainda não estive e todos os livros que ainda não li: escrever.

A ideia é me aproveitar do que começou com assuntos aleatórios, lá em 2006 (cruzes), para falar do meu bem-estar favorito: estar por aí. Até já tinha ensaiado focar no assunto quando fiz o trekking em Torres del Paine, no Chile, e a travessia rumo ao Salar de Uyuni, na Bolívia.

Nesse meio tempo, outra viagem apareceu pelo caminho, coisa loucas aconteceram, muita procrastinação tomou conta de mim, e tudo ficou só na memória. Foi buscando os termos de buscas no meu contador que eu vi o quanto palavras dos roteiros que fiz trazem leitores pra cá. Pensando nisso, talvez eu tente soltar uns drops de Nova York, São Francisco e Yosemite quando der.

Antes disso, a aurora boreal me espera. Ou melhor, parece que eu terei de sentar o corpinho no frio e esperar que ela seja gentil e apareça para mim, em março. A parte de fazer o roteiro, essa que é mais de 50% da diversão, tá na agenda das horas livres.