salar de uyuni

foi um segundo dia cansativo depois que todo mundo dormiu umas poucas horas com direito a pouco ar. pelo menos o frio não foi tão assustador quanto tinham nos avisado. o saco de dormir que o isma me emprestou foi suficiente, aliado a umas duas cobertinhas.

a primeira atração do segundo dia é a famosa árbol de piedra, no deserto de siloli.

é um dia em que se passa por várias lagunas, como a hedionda, vê-se mais alguns flamingos, outras tantas formações rochosas etc. galera, em geral cansada, não via a hora de chegar no segundo alojamento, sabendo que ali deveria rolar um banho. e até tinha. mas no meio do primeiro banho, do casal de alemães hannes e christina, a água parou de vir, para quase pânico deles, ensaboados, e dos brasileiros na fila (os suíços e o francês do meu jipe não se preocuparam muito com a questão).

mas deu tudo certo. limpos e com fome, comemos batata frita e carne, ignorando a cena que vimos logo na chegada, das patas de um animal na beirada de uma janela, e os pedaços da nossa futura janta em cima de uma mesa. afinal, até vinho rolou na janta desse dia. e todo mundo, mais aclimatado, dormiu super bem. também porque sabíamos que no outro dia, enfim, chegaríamos ao salar.

pra isso, o dia começou cedo. no caminho passamos pela sede da agência no centro de uyuni, onde precisávamos deixar as mochilas maiores. rumo ao salar, visitmos o cemitério de trens.

dali ao salar foi bem rápido. no deserto de sal, nesse período de abril, quando ele normalmente está mais alagado, há o brinde do espetáculo dos reflexos. de longe, fica difícil identificar o horizonte, onde começa salar, onde começa céu. em compensação, corre-se o risco de não poder atravessar todo o salar, e a isla del pescado pode ficar de fora do passeio se estiver muito alagada, o  que foi o nosso caso. perdemos de ver os famosos cactus gigantes, mas, ok. a visão que tivemos só de chegar até o museu de sal e hotel de sal playa blanca – até onde podíamos ir – já foi algo para não esquecer.

tive de tirar as botas para andar no deserto, pois dizem que o sal corrói tudo. almoçamos ali, tiramos mais algumas daquelas fotos divertidas e depois voltamos ao centro de uyuni, onde ficariam os gringos, e os brasileiros rumariam de volta a são pedro de atacama.

na agência, por algum motivo estranho, queriam que eu retornasse sozinha em um jipe, enquanto os outros quatro iriam em outro. por fim, o javier, motora que nos acompanhou, concordou que eu voltasse com todo mundo. foi uma viagenzinha de quase quatro horas meio tensa. pegamos a estrada à noite, pela primeira vez. quase chegando no  pueblo onde passaríamos a última noite, o javier começou a fazer sinais estranhos com os faróis para um carro ao longe. parou o jipe dele, esperou o outro que vinha com as mochilas, e seguimos em frente. ninguém entendeu muito.

no alojamento, bem simples, descobrimos um chuveiro, mas não descobrimos a água quente. abstração do banho, once again. depois da janta, filipi, do casal carioca, resolveu perguntar sobre o lance dos faróis. javier contou que, entre os motoristas, existe um sinal de quando precisam de ajuda. no caso, o outro carro não respondeu como esperado. “o que era então?” “podia ser um assaltante”. super tranquilizante, he. buenas, ao menos ele só nos contou quando já estávamos mais a salvos.

para voltar a são pedro, partimos às cinco da madrugada. uma friaca forte. saímos sem café da manhã mesmo. tomaríamos na fronteira com o chile, onde, javier nos avisou, poderiam tentar nos passar o golpe na imigração, pedindo grana para carimbar a saída da bolívia. dito e feito. os caras queriam 15 bolivianos. galera falou que não tinha dinheiro, perguntaram com quem vínhamos, resmungaram um bocadinho, mas, por fim, carimbaram sem a tal cobrança.

depois, rola uma espécie de “limbo fronteiriço”. deixamos os jipes para embarcar numa van que nos leva por cerca de uma hora até a imigração chilena. era a hora de dar tchau ao javier, esse boliviano tão querido que nos aguentou por quatro dias e ainda furou o pneu na finaleira. na foto, ele com a roupinha de mecânico, depois de fazer a troca.

em são pedro, aluguei o filipi e a paula até a hora em que eles pegariam o bus para calama. a gente se deu o direito de comer no adobe, seis mil pesos chilenos por um menu del dia. não que a gente tenha comido mal durante a viagem. mas um temperinho bom fez a diferença.

depois disso ainda consegui passar uma vergonhazinha básica no terminal de ônibus da tur bus. a 1o minutos do filipi e da paula pegaram o ônibus deles para calama, onde tomariam um voo a santiago, eu consegui ficar trancada no banheiro. filipi já tinha tentando botar a porta abaixo umas duas vezes quando destrancou. nisso, só faltavam os dois a embarcar no bus e todo mundo me olhava. perdi o tempo da despedida final e a oportunidade de dizer que eles foram uns queridões a viagem toda. que me esperem a visitá-los no rio, certamente. tentarei não ficar trancada em banheiros por lá.

passada a vergonha – ou não -, peguei minhas mochilas e fui dar as duas últimsa horas de banda por são pedro. ou melhor, cheguei até a praça central, sentei e esperei, afinal já não havia mais nada a se fazer na cidade. às 19h30min, entrei no bus rumo a minha última noite em santiago. mas, até lá, foram outras 23 horas de viagem. bem dormidas, mas sem banho e com medo de girar a chave do banheiro.

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altitude, frio e a cumbia boliviana

Nada tinha me assustado, nesse quase um mês de viagem sozinha, até começar a programar o passeio ao salar de uyuni, na bolívia. e olha que eu aprontei de tudo um pouco até esse ponto do roteiro, como fui contando por aqui. fato é que, se tem uma coisa que me dá medo, sozinha ou não, é depender de estradas ruins e motoristas desconhecidos. de certa forma, assim seria minha reserva do tour ao salar: um chute quase no escuro.

depois da função pesquisa por uma agência decente para fazer o passeio de quatro dias, em jipes 4×4, fiquei mesmo com a mais carinha, mas que, ao que tudo indicava no trip advisor, era a mais aconselhável. Para se dirigir ao maior deserto de sal do mundo (12 mil km²), saindo de são pedro de Atacama, existem duas opções: uma viagem de três dias e duas noites, ficando no fim do tour por uyuni mesmo, cidade na bolívia sem nada para fazer, ou em quatro dias e três noites, voltando para São Pedro. Fiquei com a segunda, já que era mais barato voltar para poa de santiago do que de algum lugar da bolívia.

uma vez acertado tudo com a agência e comprados os “snacks” para a viagem de quatro dias, terça-feira pela manhã, pouco antes das 8h, estava eu em frente ao escritório deles, como combinado, mas não havia sinal de ninguém no local. por um instante, cheguei a pensar que tinha entendido algo errado. até que chegou um casal de brasileiros, do rio de janeiro.

após chegar alguém da agência, trocamos dinheiro, compramos água e, dali, fomos em uma van até a fronteira chile-bolívia. o posto de saída do chile era bem direitinho, já o de imigração da bolívia… julguem por conta própria.

"posto" de imigração boliviano

Depois de todos os procedimentos de imigração é que a aventura começa mesmo. Em 12 pessoas, fomos divididos em dois grupos de seis para dois jipes. não fiquei com os brasileiros, pois um dos carros ficou com os três casais da excursão. tive de ir para o outro, com um bando de suíços e um francês.

viagem em jipes 4x4

Rolou uma dor de cabeça de tanta gente falando alemão ao mesmo tempo, somado a um calypso boliviano rolando solto na rádio do Alejandro, motora que dirigia o nosso jipe. nesse primeiro dia, vimos as lagunas blanca e verde, ao pé do vulcão licancabur, mais a laguna colorada e seus flamingos.

laguna verde

Isso tudo depois de tomar um banhinho (o único do dia, diga-se) em águas termais e visitar os geysers sol de la mañana, a uma altitude de 4.985 metros, conforme marcava o relógio do cristian, um dos suiços que ia no meu jipe.

acho que, até então, não tinha estado em um lugar tão alto. não sofri como no segundo dia da trilha inca, no peru, uma vez que o esforço físico aqui é menor, né? (galera fica um tempão dentro do jipe). anyway, nessa primeira noite, todo mundo dormiu mal pra caramba e se acordou pelas duas da matina, com uma sensação de chapadeira.

eu não cheguei a me sentir “perdida”, mas respirei mal e fiquei com uma p*** dor de cabeça. deveria ter arranjado umas folhas de coca.