Here we go

Nada mais frustrante do que, com tudo pronto para viajar, descobrir que não se vai viajar. Ou, pior, ter de ficar aguardando para saber quando as previsões deixarão de ser previsões. Na segunda-feira, quando exatamente se iniciaria minha viagem de férias meticulosamente planejada em aproveitamento dos dias, uma pane técnica tomou conta dos aeroportos de Buenos Aires, de onde partiria meu voo para El Calafate.

As malas apenas vão e voltam comigo do Salgado Filho, um pouco mais pesadas pela frustração e ansiedade. A Aerolineas Argentinas pagou um taxi de volta para casa, mas não sabia dizer quando poderíamos viajar novamente. Já em casa, tentei colocar o sono em dia, mas dormi umas quatro horas, revirando na cama, pensando em maneiras de driblar a quebra do roteiro.

Então, a companhia ligou na terça pela manhã avisando os passageiros da possibilidade de voar até São Paulo ao meio-dia, então Buenos Aires, então sabe-se-lá-quando-calafate. imprecisão diretamente proporcional à ansiedade. e não chegando a tempo a calafate? como chego a puerto natales? como chego a tempo de torres del paine e o circtuito w que começaria no dia 24?

Mas quem disse que é para ser fácil? Depois de passar o dia viajando, cheguei a Buenos Aires às 19h de terça. Voos para Calafate apenas na quarta de manhã. Tentei reativar a reserva já paga do hotel que havia perdido na noite anterior. Sem jeito de reembolso, mas pelo menos tinha um lugar para passar a noite.

E, por fim, foi bem legal. Em terra de hermanos, o que mais rolou foi o inglês. Dei uma banda por Puerto Madero à noite, com uma menina brasileira que conheci, a Michele, e um casal de irlandeses, Sean e Rachel. A brasileira não falava quase nada de inglês, então fiquei brincando de tradutora até umas duas da manhã.

Consegui remarcar o circuito de torres del paine para dia 25, mas havia a chance de passar por el calafate sem ver perito moreno. mas, buenos, o desfecho dessa história fica para o próximo post. agora rolará uma boa dormida.

P.S.: tá ficando divertido isso de falar inglês e espanhol. vantagens de se viajar sozinha. me pego pensando nas duas línguas vez ou outra.

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Homens de neandertal já fomos

Flaubert, enfastiado da França, buscou encontrar no Oriente tudo aquilo que não encontrava em seu país, como conta o filósofo Alain de Botton no livro A Arte de Viajar.

Meu lado Flaubert arrancou-se para Argentina e Uruguai nestas férias, mas em um sentido meio inverso. No meio da correria da rotina, nem sempre se percebe as mazelas da nossa cidade. Não fui à procura do diferente, mas deparei com algumas cenas que me chamaram a atenção nas capitais dos hermanos.

O trânsito em Buenos Aires, cidade grande que é, obviamente é mais caótico do que em Porto Alegre. De qualquer forma, toda vez que precisei atravessar uma rua, os motoristas efetivamente começam a parar no sinal amarelo. Aqui, parece que houve uma inversão da sinalização. O sinal de cuidado é inútil. Passei a perceber, nas minhas corridas, que, não eventualmente, os motoristas ultrapassam o sinal vermelho só porque recém mudou.

Em Montevidéu, não é preciso esticar nenhuma mão e esperar que os carros parem, como se o pedestre pedisse o favor de o condutor parar o veículo, ainda que a obrigação esteja prevista em lei. Acostumada em não acreditar na educação no trânsito porto-alegrense, caí em espanto quando, simplesmente ao parar no cordão da calçada para esperar a ausência de veículos, ví uma fila de motoristas uruguaios pararem imediatamente para a minha travessia.

Mais um ponto para Buenos Aires: idoso tem vez no metrô. Das quatro linhas lotadas que precisamos tomar na capital argentina, minha mãe de 75 anos ganhou lugar imediatamente. Outra sinalização ignorada por muito porto-alegrenses: os bancos amarelos reservados aos mais velhos no momento em que o ônibus está cheio de velhinhos.

E a vida ao redor do Rio da Prata? Quando a orla do Guaíba chegará um pouquinho perto daquilo?

Putz… minha mae descobriu meu segredo

Como é bom dar banda sozinha por uma cidade. Ontem, já que mamis tava meio cansada para fazer muitas caminhadas, aproveitei para dar uma banda no meu passo e ritmo.

Fui trocar dinheiro e olhar lojas na Florida. Quando vi, já era mais de uma da tarde. Estomago começou a apertar e, até sair de casa, depois de buscar dona Marly, e achar o tal El Desnível, dica de André Mags, era por volta de 15h. Mas beleza, rolou a primeira boa e farta refeiçao da viagem, com direito a mamis se assustar com o fato de eu ter comido um pedaço de vazio enorme, mais o nhoque que ela nao conseguiu dar conta:

– Agora entendo o que falam de ti.

He.

Depois, fomos caminhando bem na manha até La Bombonera e Caminito. No caminho, um dos parques que achei mais bonito por aqui, o Lezama.

Como nao poderia deixar de fazer sem a Cris, mae de meu afilhado, torcedora do Boca, nao ficar decepcionada, visitei o museu e o estádio do Boca, na sequência. Muito legal. Várias tentativas para minha mae se acertar com a máquina digital, mas, no fim, tudo deu certo. Tirando, claro, a vergonha alheia do momento em que ela tirou o sapato para colocar em cima da estrela do pé do Maradona em frente à entrada do museu.

Depois demos uma banda no Caminito, que já estava em ritmo desacelerado a essas alturas, mas, ainda assim, deu para curtir. Na volta, pegamos um bus até San Telmo e, sem querer, descemos do lado do hostel. Ha, já to manjando muito dessa cidade 😉

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– Ah, que bonitinho, olha uma bonequinha da Mônica sentada naquele banco.

– Mae, nao fala isso alto de novo. Aquela é a Mafalda.

Amistoso ganho, amistoso perdido

Entramos no táxi e, no rádio, mais um gol é gritado. Argentina 3 X 0 Espanha. Ao meu lado, caminhada 10 x 0 Marly. Ainda bem que, em ambos os casos, é apenas um amistoso. Ou nao. A festa no hostel é de quem ganhou O jogo. Ah, pois é, a Espanha é a atual campea da Copa.

Perdi a conta dos quilometros andados e um pouco do bom senso. Essa cidade é tao maravilhosa de andar… E quando se está há mais de quatro meses correndo pelo menos quatro vezes por semana, tudo é muito barbada. Mas esqueci que mamis é véinha… e cansa… e só iria reclamar quando estivesse mesmo na sua última gota de resistencia.

Obelisco, avenidas Santa Fé, Córdoba, 9 de Julho, Corrientes, Jardim Botanico, Teatro Cólon, tudo isso a pé. Hoje, parece que terei de dar uma folga para mamis. Procurar alguns roteiros para fazer sozinha.

Já tenho algumas fotos na máquina, mas, no cmputador onde estou, parece que a USB nao funciona. Entonces, fica para a próxima.