The girl who stare at movies

Estou com medo da próxima vez em que for ao cinema. Porque simplesmente foi uma sequência de filmes muito bons desde quinta-feira. Tudo começou com The Hurt Locker, que é ótimo, mas talvez o mais fraquinho da maratona que me impus. Vale pela tensão, que se renova a cada mudança brusca de planos e cada loucurada do sargento James, viciado na adrenalina de desativar bombas.

Sábado ainda foi dia de Oscar, com o argentino El Secreto de sus Ojos. Já citei ele no post anterior. Bonito, sensível, bem pensado e… putz, tenho que admitir, acho o Ricardo Darín um charme.

Domingo, com um pouco de ressaca e sinusite, fui atrás do moranguinho do bolo do Festival de Verão do RS, Whatever Works, do Woody Allen. Sala Paulo Amorim cheia. (abre parênteses) Sem companhia dessa vez, bateu a nostalgia dos tempos em que estagiava à noite e usava as tardes livres nas salas da Casa de Cultura ou do Santander Cultural para ver vários filmes, sozinha mesmo (fecha parênteses). Boris Yellnikoff. Melhor personagem rabugento e com TOC ever. Passou Jack Nicholson em As Good as It Gets, na minha cotação personagens ranzinzas (é, eu simpatizo com pessoas do tipo “garoto enxaqueca”). O filme é engraçado, irônico e inteligente.

E para fechar, segui em direção ao arteplex para ver George Clooney sendo mais engraçado ainda do que em Burn After Reading. Cara, eu adoro ele fazendo papéis assim. E aí The Men Who Stare at Goats traz uma sequência de surpresas boas, tipo Ewan McGregor de repórter que vai atrás de uma grande história apenas para fazer moral com a ex-mulher, Jeff Bridges de trancinha e no comando de uma unidade paz e amor do Exército, Kevin Spacey de paranormal invejoso, e o próprio Clooney se declarando um “jedi warrior”, he. Não deixa de ser um pouco besteirol, mas aquele besteirol esperto e eficiente, saca? No site oficial do filme, rolam uns videozinhos para conferir.

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Não há mais segredos

Prisão perpétua. Saí do cinema, após assistir El Secreto de sus Ojos, melhor filme estrangeiro no oscar, e fiquei pensando, no caminho a pé de volta para casa, nessas prisões quase perpétuas a que a gente mesmo se condena.

Morales tinha 20 e poucos anos quando a bela mulher foi brutalmente assassinada. Passou outros 25 com o retrato dela na estante. Tinha 27 anos quando soube que um ônibus tinha passado por cima do meu pai. Passei mais de dois anos sem deixar de pensar nele um dia sequer. Talvez me sentisse culpada se não pensasse e deixasse que os pequenos detalhes começassem a se apagar.

Percebi que os dias de lembranças têm falhado. Já não penso todos os dias. Já não penso em tudo que preciso fazer se tudo pode acabar na fração de segundo em que não enxergamos o sol e deixamos uma vida saudável acabar embaixo de grandes rodas.

As lembranças diárias me prendiam. Tão forte quanto essas prisões de desenho animado, em que colocam uma grande bola de ferro no pé do sujeito em cárcere. Não quero ser Espósito e deixar que tudo se resolva somente quando me decidir por escrever um livro.

Vou ali dar uma vivida, então, sem grandes temores e culpas. Nos vemos todos por aí.