I Love Patagônia

Como a vida deve andar – e aqui em Santiago anda pra caramba (inda to me acostumando com esse agito todo) -, vou encerrar nesse post os dois últimos dias de torres del paine.

no refúgio los cuernos, dormi super bem, na primeira noite sem dor no rosto e com a tranquilidade de que não caminharia sozinha no outro dia. esse albergue era mais simples, sem cama arrumadinha, mas com o saco de dormir e umas roupas a mais dava pra descansar bem tranquilo.

assim como no dia anterior, seria preciso levar todas as coisas consigo, no meu caso, a mochilona e uma menorzinha. sem dúvida, esse terceiro percurso foi o mais difícil deles. as mochilas foram carregadas pelo pedaço plano até um espaço guarda-parques. a partir dali, pode-se subir até o vale francês só com a mochilinha. thanks, lord! porque é bem puxadinho. muitas subidas e descidas. fiz mais pelas minhas pernas nos 25km desse dia do que em três meses de musculação.

thanks, lord, once again, pelo tadeo ter me convidado a caminhar com eles. tem um caminho que é todo no meio de pedras. sem ele, não saberia como chegar ao vale e, muito menos, como voltar. e morreria de desgosto se tivesse saído de TDP sem ver “el glaciar frances”.

o vale francês e seu glacial

no caminho de volta, pega-se as mochilas nos guarda-parques e são mais umas duas, três horas caminhando até o último refúgio, Paine Grande, o mais aconchegante e com cara de hotel de todos.

apesar da cumplicidade nos percursos desses dois dias, conversávamos pouco. aí, num momento em que eu tinha assumido a frente, ouço meu nome com aquela pausa que se faz para uma pergunta meio solene. “rrrita… tienes novio?”

ri. e não menti, como as vezes a gente tem de fazer em alguma festa para não ser importunada. e aí fomos conversando sobre isso durante parte do resto do caminho até o refúgio. em paine grande, me sentindo quase desfalecer de fome, abri a mão e paguei US$ 17 por uma janta. boa, ao menos.

para o quarto e o último dia, quando se vai até “el glaciar grey”, os caminhos se divergiam um pouco, por isso cada um saiu a sua hora. eles, um pouco mais cedo. sentada frente a uma das janelas, vi os dois se afastarem até sumirem por trás do guarda-parques de paine grande. não houve tchau. ficou foi esse aperto de ver meu primeiro elo com a patagônia se afastar, sabendo que esse é um encontro para difcilmente se repetir.

coisa de uma hora depois, assumi meu rumo até a última mirada, o glacial grey. o sol, para não mascarar minha tristeza em reconhecer que aqueles eram meus últimos momentos nesse lugar mágico, não deu as caras. chuva fraca, chuva forte, peso da mochila, a ausência da cumplicidade dos dias anteriores. tudo pesava mais nas minhas botas de trekking, que mais de uma vez se afundaram em barro.

O glacial grey e todo o peso desse dia

De volta ao refúgio, depois de sete horas de caminhada, era a hora de tomar o catamarã e rumar para mais uma noite em puerto natales, de onde no dia seguinte partiria para punta arenas, tomar um avião para santiago.

não sabia nem o sobrenome do tadeo, mas dando uma pesquisada pela internet, acabei descobrindo a agência para qual ele trabalha. escrevi pedindo o contato e, quando cheguei a santiago, ele já tinha me escrito de volta, de puerto natales, onde ele mora, ao que tudo indica. mas nessa época, de alta temporada, ele passa mais tempo em TDP, pelo que me falou. taí uma vida que, de certa forma, passei a invejar.

a patagônia foi, até agora, o que de mais inesperado me aconteceu em viagens. até começar a planejar o tempo no chile, sabia da existência do parque, mas não da possibilidade dos circuitos. lendo um pouco aqui, um pouco lá, resolvi arriscar. e achei que seria uma boa oportunidade do silêncio contemplativo, algo que me faz falta vez ou outra.

de observações a posteriori, vale aquelas que encheram minha bolinha nesse primeiro período da viagem. a patrícia, da fantástico sur e que me deu uma baita mão em todo o agendamento do circuito, disse que eu falo bem espanhol. ha, tô me esforçando. bombarei depois do curso em santiago.

já david, o londrino, me perguntou onde eu aprendi a falar inglês, porque achou que eu falava muito bem. deve ter sido porque eu puxo para o british accent, e inglês tem esse sentimento similar ao “gaúcho melhor em tudo.” também disse “I’m impressioned with your balance”. ha, melhor comentário. “You didn’t use the sticks all the trekking”. movimentos friamente calculados, david. na medida do possível.

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