Continuando na linha filmes que são uma interessante surpresa, depois de A Partida, a produção You, the Living, do sueco Roy Andersson. Minha cena preferida e mais surreal:

O que revirar uma caixa de recordações não faz pela nossa memória? Como, sem ela, poderia lembrar que já me fizeram uma festa surpresa de aniversário?

Ali estão os tempos em que os Correios eram a solução para a saudade. Na carta,  a amiga diz que chegará na próxima semana. Lembro, então, que volta e meia passava no bazar para comprar aquelas fichas metálicas de telefone e ligava no telefone vermelho, de disco, instalado na farmácia que não existe mais. “Ela já chegou?”.

Saudade, nesse tempo, não passava disso. Era a falta das amigas nas férias. No meio dessas cartas, encontro a letra do meu pai. Cursiva, bonita. Mas isso ainda não é saudade, pois parece sempre que a gente vai se encontrar daqui a pouco.

Minha caixa de recordações é minha versão de João e Maria. São os farelinhos de pão que me ajudam a encontrar o caminho de volta. A diferença é que nenhum passarinho comeu, mas ainda assim é como se eu tivesse me perdido no caminho.

* Descobri que sou uma CDF. Droga, eu sou. Primeira semana do meu mês de férias das aulas na Letras da UFRGS e já sinto falta da atucanação de trabalhos e provas. Foram noites mal-dormidas, principalmente depois que minha jornada de trabalho passou a ser oito horas, mas é tão bom estudar por estudar, sem a preocupação de ter que se formar para ter uma profissão e patati-patatá.

* A morte do Michael Jackson me deixou triste e daí?

* Tão bom quando se escolhe um filme despretensiosamente, sem muitas expectativas, e somos surpreendidos. Aconteceu semana passada, com A Partida (2008), filme japonês de Yojiro Takita. O filme ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2009, o que já é motivo para uns tantos dizerem que, por isso mesmo, não seria isso tudo. Alguns críticos chegam a dizer que foi por pender para o lado das produções ocidentais que o filme levou o prêmio. E daí? Não aconteceu com A Vida É Bela? A história teve seu roteiro alterado pela Miramax justamente para ter chances no circuito internacional. O que importa é que as duas são ótimas produções.  E para quem gosta de ir ao cinema para dar aquela choradinha desopiladora, vale a pena. A Partida, além de engraçado, é capaz de dar aquele básico nó na garganta. Enfim, altamente recomendável. Deixo aí o trailer para quem se interessar:

Por que a justiça ainda não tirou o quadro do ar? dá para entender?

“A menina Maisa protagonizou uma nova cena de choro no “Programa Silvio Santos”, que foi ao ar neste domingo (17) no SBT.

No programa, Silvio Santos diz que não quer mais conversar com a garota. “Porque na semana passada você deu vexame, ficou chorando no palco como se fosse uma criancinha de um mês de idade.”

Diante da reprimenda do apresentador, os olhos de Maisa começam a se encher de lágrimas.

“Mas você chora à toa. Parece uma atriz de televisão. Qualquer coisinha fica magoada. Auditório, eu estou falando alguma coisa para ela chorar?”, questiona Silvio.

Desconcertada, Maisa olha para o chão e diz que ficou “magoada”. Chorando e gritando, ela sai do palco e bate a cabeça em uma das câmeras do programa.

“Que artista cheia de banca”, diz Silvio que, em seguida, com o público seguindo em coro, grita: “Medrosa, medrosa, medrosa.”

“Tá doendo muito! Posso ir lá para a minha mãe?”, pergunta Maisa ao voltar para o palco.

Maisa se dirige até o local onde se encontra sua mãe. No entanto, a mãe se recusa a receber a filha nos bastidores.

Ela se volta para o apresentador: “Silvio, deixa esperar sarar que eu volto. Gosto muito de você, mas está doendo muito.”

“Silvio, meu Deus, tá doendo muito. Silvio, semana que vem vou gravar dois programas”, grita a garota.

Em seguida, ela toma um copo de água, resolve encerrar o quadro “Pergunte para Maisa” e sai do palco.

“Só cria caso. Toda semana ela cria caso”, conclui Silvio.”

Fonte: www.folhaonline.com.br, em 18 de maio

… de sentir aquela dor no olho quando toma algo muito gelado?

… de ter cãimbra no pé quando o estica para colocar uma calça no inverno?

… de estalar o maxilar vez ou outra?

… de sonhar que tá caindo e dar aquela puxada assustadora?

… de entregar uma moeda ao cobrador do ônibus achando que era um VT?

… de falar perto do ventilador ligado para ouvir a voz de robô?

… achar que a ligação de alguém era o despertador do celular e desligar na cara?

Ah, maldita falta de tempo que não me deixa comentar o Wolverine, as minhas aulas na Letras, a mudança profissional, a perda de um tio e tudo que eu precisava fazer, mas estou sem tempo.

Espero que me sobrem dedos até esse estresse passar um pouco. Maldita mania essa de automutilação (com hífen ou sem hífen?). Aliás, comprei a gramática atualizada do Bechara que ainda não tive tempo de olhar com carinho. Assim como todos os outros livros que ganhei de formatura. A não ser “Para Entender Saussure”, de Castelar de Carvalho. Até porque, signo linguístico, arbitrariedade do signo, relações paradigmáticas e sintagmáticas têm de estar na ponta da língua até sexta-feira. Puxa, prova. Nem lembrava mais como era isso, depois de quatro anos e meio de Fabico.

Coerência nesse texto. coesão. tá faltando? ah, não, isso é matéria de outra cadeira. Puxa, texto para entregar terça, baseado em notícia. Mas não notícia. Isso fica lá para o trabalho. Sempre às pressas. Deadline, deadline. O do  meu tio foi 80 anos. E até que foi muito, disse o pastor.

Cansei, vou dormir minhas cinco horinhas de sono diárias. Volto amanhã (mentira! semana que vem, talvez) para escrever algo mais claro e com sentido. Talvez sobre o bonitão do Hugh Jackman e o Wolverine.

Quem dera eu estivesse todo esse tempo de férias. Mas não. Sorry. Foi por pura falta de tempo que não rolou mais postar. Quase mato de tédio meus dois leitores (para o meu contador de visitas, isso significa eu, no internet explorer, no trabalho, e eu, no mozilla, em casa).

Buenas, para quem não sabe, parte do tempo ocupado se deve às aulas do curso de Letras, bacharelado em inglês, feito todas as manhas, de segunda a sexta-feira. E essas manhãs começam bem cedo (madrugada, melhor dizendo), lãããããã no campus do vale da UFRGS. É vontade de continuar estudando depois de ter recém se formado, não é? Pior que é! tô amando as aulas. Principalmente as de linguística.

Ah, então, voltando em grande estilo, aproveito para contar que eu e um grupo de colegas somos finalistas do prêmio Unirádio, da FM Cultura, na categoria Radiofonização de Textos Literários. Eles premiam trabalhos universitários que foram veiculados na rádio durante o ano. Pena que nosso concorrente é forte, mas já é legal ter sido indicado para a final. Quem quiser conferir, é a audioficção João Carlos, dispoonível NESTE site

Pessoas, estou de férias – andando por Peru e Bolívia – até o dia 3 de abril. Nesse período, vocês podem me acompanhar nesse blog de viagem.

see you!

Reino Unido desiste de pedir visto a brasileiros

Depois de cogitar pedir visto para turistas brasileiros ou de enviar agentes de imigração para fazer triagem nos aeroportos do país -medida rechaçada pelo Itamaraty e pelo presidente Lula-, o Reino Unido decidiu manter o Brasil na lista de países com isenção de vistos. No ano passado, o Brasil foi incluído numa lista de 11 países (entre eles Bolívia, Venezuela, Namíbia, África do Sul, Lesoto e Suazilândia) que representam riscos para o Reino Unido em relação à imigração ilegal, à criminalidade e à segurança. À época, a medida provocou polêmica e recebeu censura do presidente Lula e do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que disse que o Brasil aplicaria o princípio da reciprocidade caso o Reino Unido exigisse mesmo o visto dos brasileiros. A estimativa é que aproximadamente 150 mil brasileiros vivam atualmente no Reino Unido, entre legais e ilegais. Em 2007, dado mais recente, 133 mil brasileiros saíram do país e desembarcaram em terras britânicas.

Fonte: Folha de S.Paulo de 11 de fevereiro de 2009

Eu me pergunto o que fez o Reino Unido voltar atrás na decisão. Será que é porque seria muita hiprocrisia considerar o Brasil um risco à imigração ilegal, à criminalidade e à segurança, quando eles levam nos ombros a culpa de balear e matar um brasileiro inocente pelas costas?

Tem uma frase do filme O Curioso Caso de Benjamin Button que, além de fazer os espectadores rirem, ficou martelando na minha cabeça. Lá pelas tantas, Daisy (Cate Blanchett) diz para Benjamin (Brad Pitt): “Que diferença faz se no começo ou no fim todos usamos fraldas”.

Pois é. Que diferença faz? Não foram poucas as vezes em que vi pessoas olharem para as pessoas velhinhas – às vezes em cadeiras de rodas, às vezes esquecendo os fatos, às vezes usando fraldas – e comentarem: “Quero morrer logo, não quero ficar assim”. Outras tantas olham para seus pais, tios ou avós e ficam desconcertados por vê-los precisando de suporte.

Crianças também precisam de suporte – ou de fraldas –, mas ninguém se atreve a achar triste ou decadente. Porque as crianças são o futuro. Mas e os velhinhos? Que lugar simbólico lhes sobra além do fim?

Todos os velhinhos me doem. Não porque eu fique triste por eles ou sinta pena ou os ache decadentes pelo uso de fraldas. Todo velhinho me faz lembrar do tempo que ainda faltava para meu pai precisar de suporte. A cada cabeça branca na esquina, a cada passo mais lento a minha frente, eu vejo um pouco dele alguns anos além. Imagino-o esquecendo coisas, trocando fatos, pedindo o meu braço para levantar.

E em cada passo em falso, em cada tombo, em cada refrescar de memória, eu estaria lá. Por isso – e quaisquer outros motivos seriam estúpidos – é que todos os velhinhos me doem.